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Mineiros dão lição de Empreendedorismo no Setor de Alimentos e Bebidas

Algumas idéias parecem tão geniais que no: perguntaríamos por que ninguém havia pensado nisso antes. A verdade é que muitos novidades o indo serão "descobertas1 ou criados, mo* Belo Horizonte tem-se mostrado um importante celeiro poro o desenvolvimento de produ¬tos que chegam porá revolucionar o mer¬cado. A última dessas grandes sacadas foi O Picanha Burguer. A união da carne de churrasco preferida dos brasileiros com um acompanhamento hem mineiro, como o requeijão, tem conquistado o país de norte a sul.

A versão brasileira do típico prato norte-americano surgiu de uma associ¬ação entre as empresas mineiras Alimenta e Nutribom. A primeira, pre¬sente há quase 30 anos no mercado, acabava de desenvolver o hambúrguer de 120 gramas de carne de picanha, quan¬do um dos mais novos clientes da empre¬sa, a Nutribom, com apenas quatro meses de existência, mas cheio de gás, se interessou pela novidade. "Já éramos par¬ceiros na fabricação de outros produtos quando foi apresentada a uma amostra do novo hambúrguer Pedi mais algumas, e numa churrasqueira, bem ao estilo americano, grelhei as carnes. Percebi o potencial imediatamente", contou o diretor do Nutribom, Lúcio no Munhoz Fernandes.


Bons Negócios
 
A Engenheira de alimentos Rachel Pires: além de criatividade e trabalho, é adequada para atender a expectativa do cliente.

Por potencial, leia-se árduo tra¬balho de adaptação para um formato que mudou o mercado de sanduíches prontos no Brasil. A partir das amostras, e com uma idéia na cabeça, Luciano e a enge¬nheira de alimentos Rachel Pires utilizaram um processo inovador no Brasil porá embalagem a vácuo, sem oxigênio, mas com nitrogênio na embalagem, que garante o frescor do produto para que o sanduíche fique perfeito ao ser esquenta¬do no microondas, sem perda de quali¬dade. A técnica é chamada pelos fabricantes de Atmosfera Protetiva.
Boas idéias, podem se transfor¬mar em grandes negócios. Foi assim, com a belohorizontina Vilma Alimentos. A empresa de mais de 81 anos de existência construiu sua ascensão a partir da mistura de bolo em embalagem plástica. A idéia era reduzir os custos das misturas, como forma de popularizar o produto. Inicialmente vendidas somente em caixinhas, as misturas eram caras e inacessíveis para boa parte dos brasileiros. "Nosso lema é buscar soluções em alimentos para todos os consumidores", confirma o presidente de vendas e marketing da empresa, César Tavares.

O produto, que ganhou o mercado há oito anos, hoje responde o 24% do faturamento da Vilma, que cresceu 180% desde então, e deve alcançar R$ 330 milhões até o final do ano. A empresa já ostenta o 3° lugar enlre as fabricanles de mistu¬ra para bolos e refresco em pó do país, e está investindo RS 30 milhões na ampliação da capacidade da fábrica, localizada em Minas Gerais. Serão fabricadas 12 mil loneladas mensais de misturas e a expectativa é de que até o final do ano a produção chegue a 12 mil toneladas.


Desde cedo, a pequena empresa inovadora deve atender as normas de saúde por meio de Treinamento e uso de material e equipamentos apropriados.

A Vilma começou em 1925, no fundo do quintal da família de Domingos Costa, no centro de Belo Horizonte, e com apenas três pessoas para fabricar macarrão. Em um quar¬to de década e a aquisição dos primeiras máquinas, a Vilma abando¬nou o processo artesanal de produção de massas prontas. E a planta da empresa foi se instalar em um terreno de 15 mil metros quadrados. Hoje, ainda no mesmo local, ocupa 115 mil metros quadrados.


 
A Vilma entende que no mundo globalizado é crescer para não morrer. Por isso, está chegando a São Paulo, mas com uma atitude bem mineira “Temos que continuar em condições para competir, já que quere¬mos perenizar a empresa. Mas vamos devagar para entender o mercado paulista e suas peculiaridades", decla¬rou Tavares. Os planos de expansão devem se concretizar, já que com a presença no eslado paulista, o empre¬sa soma 44 milhões de consumidores.

Fiel à Tradição de revelar grandes negócios, Belo Horizonte foi a primeira cidade brasileira a receber uma fábrica de energy drink de padrão mundial. O energético On Line fez da Globalbev a empresa pio¬neira na fabricação de energéticos na América Latina. Criada em 2000, a Global continua na liderança e não para de crescer. A largada da empre¬sa foi enxergar no movimento de expansão dos energéticos na Europa, um nicho de mercado promissor para o Brasil. Desde 2004, a empresa man¬tém a divisão de alcoólicos e não alcoólicos, para comercializar e dis¬tribuir cerca de 15 produlos.

A sede da empresa está situada em Belo Horizonte, mas a Globalbev conta hoje com 130 dis¬tribuidores, 2,5 mil vendedores, 100 mil pontos- de vendas, 80 atacadistas e está presente nos 100 maiores redes de supermercados do Brasil, No total, são mais de 10 milhões de unidades vendidas por ano. Mas isso é pouco dentro dos planos da empresa. De acordo com o sócio-fundador e CEO da Globalbev, Bernardo Lobato, a expectativa é crescer 50% em 2007, alcançando R$I 60 milhões de faturamento bruto. A ideia é manter essa taxa de expansão até que o faturamento alcance a casa dos RS 100 milhões.

A aposta de crescimento é resultado da aquisição do isotônico Marathon, em março deste ano. "A Globalbev é detentora da marca e responsável pela distribuição do ísotônico que é um produto forte e de referên¬cia no mercado, sendo o segundo mais vendi¬do no país", explica Lobato. Apesar da expan¬são, a empresa mantém sua estrutura em Belo Horizonte, e não pretende mudar isso. "Vendemos para todo o país, e São Paulo já responde por um terço das vendas. Mas cri¬amos um controle de inteligência muito efi¬ciente em Minas Gerais, e temos uma equipe comprometida", completa o CEO.

Uma idéia e muito trabalho

Para a Nutribom, a idéia veio acom¬panhado de muito trabalho. Segundo a sócia e engenheira de alimentos da empresa, Rachel Pires, se a idéia surgiu rapidamente, torná-la um produto real foi outra historia. "Depois, de muita pesquisa, selecionamos uma receita de pão que funcionasse com aquecimento no microondas. Além de um queijo onde a con-sistência continuasse perfeita num ambiente resfriado, e posteriormente muito quente. Para completar, decidimos que o hambúrguer seria grelhado da forma tradicional, ao invés de quase frito, da forma mais comum. A ideia era montar um produto gostoso, prático, de quali¬dade e muito saudável", explicou.

Pronto. Estava montada a receita de sucesso, certo? Errado. Segundo Luciano Munhoz, a microempresa tinha menos de quatro meses quando tudo aconteceu. "Não tínhamos estrutlura, números suficiente de fun¬cionários ou grande esquema de divulgação e investimento", garantiu o empresário de suces¬so. Em dois meses, a Nutribom, que antes fab¬ricava pizza, pão de queijo e quibe, decolou. "Já estávamos, crescendo muito com a massa de quibe, mas sentíamos a necessidade de apre¬sentar um novo produto ao mercado", explica.

Além de Minas Gerais, o Picanha Burger hoje é produzido em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Só em Minas já está presente em mais de mil pontos de vendas. Como boa empreendedora, a Nutribom aumentou a família e criou a linha de "Fine Burgers". A empresa continua fabricando os tradicionais produtos do início de suas atividades, em julho de 2004, mas além do Picanha Burguer, agora o consumidor tem a chance de escolher entre outros sabores; duplo cheddar, frango burguer, filé burguer e bisteca-suino burguer.

A insistente busca pela perfeição tem custo alto num setor onde a concorrância é grande e desleal, mas os empresários não se assustamr "Está cheio de cópias por aí que, às vezes com preço mais em conta, mas sem a mesma qualidade. O consumidor não è bobo e não se engana quanto a relação custo-benefí¬cio de cada produto", afirma Fernandes.

Aceitar o desafio de produzir com qual¬idade, tecnologia e a praticidode para o cliente é o grande desafio dos empresários do setor. Conseguir. Isso é a receita do sucesso.